naquele dia
você já acordou com a vitória entre os braços. disse tudo que estava entalado,
chorou até a última lágrima secar e recomeçou da estaca zero. não sentiu nem um
frio na barriga nem nada. apenas fez, com a coragem que apenas os bêbados da
madrugada possuem ao falar a verdade. teve peito de enfrentar a si próprio,
condenando seus vícios como um juíz mal pago. jogou as incertezas na cesta de
lixo. teve pela primeira vez na vida, a sensação de que estava realmente
controlando a própria. e a solidão, do outro lado da rua, observava seu sucesso
com uma ponta de tristeza. teria que ir embora, pois na sua vida agora, não
havia mais espaço para solidão. e lá estava você, caminhando até o fim da rua,
enquanto sua velha companheira de anos se conformava na calçada, aceitando o
fato de que nunca mais o terá de volta. azar o dela, sorte sua.
Nenhum comentário:
Postar um comentário