Em menos de dez minutos você se
lembra de tudo. Você se lembra o motivo ou os motivos que fizeram tudo se
perder. E você se lembra que não é culpado e que, talvez, os outros também não
sejam. Assim é a vida. Ele prefere ser descolado do que humano.E
você lembra daquela sensação que sentia ao lado dele. E
você descobre que hoje ele acha que saudade ou vontade de fazer carinho se resume a
uma passada de mão na sua bunda ou uma apertada no seu peito. E você percebe
que a vida dele, que você tanto colocou no pedestal, pode ser um pouco boba ou
até mesmo triste. Com carros que correm para esbanjar uma grana gasta com
coisas sem amor, bilhetes de reclamação de barulho, filmes onde cunhadas se
comem e amigos que ligam na madrugada achando que puteiro pode ser uma opção
legal. Em minutos você entende como ninguém o que te trouxe até aqui, tão longe
dele. Me senti visitando meu próprio cemitério. Com amigos e amores mortos e enterrados.
Pessoas que a gente desenterra de vez em quando pra ter certeza que fizemos a
melhor escolha enterrando elas. Pessoas que a gente lamenta a distância,
afinal, já foram tão importantes e… será que não dá para começar tudo de novo e
tentar acertar dessa vez? Pessoas que a gente tenta se agarrar para não sentir
que a vida caminha para frente e isso significa, ainda que muito
filosoficamente, que um dia vamos morrer. Nossos amigos vão ficando para trás,
nossos amores, nossos empregos, casas… um dia seremos nós a desaparecer. Mas a
lição que eu aprendi é que não vale a pena consertar um carro pela décima vez.
É mais fácil comprar um novo e fim de papo. Afinal, eu bem que tentei consertar
meu relacionamento com algumas pessoas e só ganhei mais e mais poses e menos e
menos verdades. Ainda que doa deixar pessoas morrerem, se agarrar a elas é
viver mal assombrado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário