sábado, 3 de março de 2012

Eu me ofendo. Eu compro briga com todo mundo que acha que pode me amar. Eu viro fera, porque eu sei que não é fácil. Não sou exatamente amável, eu sou complicada. Aí vem o bonitinho, o engraçadinho, o fofinho querendo me amar. Eu não aceito que alguém além de você seja capaz disso, eu não acredito que alguém vai realmente fazer isso com sucesso. Entender a minha pessoa já não é fácil, imagina amar. Eu bato o pé, eu fujo, eu fico ainda mais insuportável. Fulano não pode me amar, fulano não pode me amar. Mas o idiota ali, aquele que não tá nem aí, esse sim deveria me amar. Por que ele não me ama? Por que eu não sou o tipo dele? Ele é exatamente o meu tipo! Ele gosta de chocolate. Ele gosta de música no último volume, gosta de escrever coisas de gaveta, mas não gosta de mim. Nem desgosta. Só não liga. Esse sim poderia me amar, mas por que nem gosta? Mas se o idiota gostasse, eu desgostaria. Porque dá realmente pra me amar? Não, não. Depois de você eu me tornei uma pós-você. Querendo mais do que eu sempre quis, mais do que eu sempre sonhei. Porque eu já tinha visto que tudo o que eu tinha sonhado existia e era palpável. Aí, depois de você eu me tornei exigente demais. Querendo o impossível, procurando o inalcançável. Valorizando mais a busca do que o encontro. Encontrar ficou chato, bom era buscar. Mas a verdade é que eu nunca mais encontrei nada parecido, nada que superasse. Meia dúzia de palavras jogadas ao vento não me bastam mais, não preenchem. Aí o bonitinho, fofinho, lindinho vem e me fala essa meia dúzia de palavras e eu tenho vontade de rir, porque não pode ser verdade. Eles não são você, não pode ser verdade. Eles querem tentar, lutar, insistir, conquistar o tal do meu amor, mas se eu disser não, lá vão eles beijar outra boca que diga sim. Depois voltam de novo, para o meu pé. Isso não é amor, é carência. E eu acho tudo uma mentira. Até quando eles falam a verdade, até os que gostam de mim de verdade, eu digo que é mentira. Tudo mentira. Dá realmente pra me amar? Eu sempre acho o amor deles pouco, sóbrio, calmo demais. Eu sempre gostei de amor intenso, puro, daquele que faz o coração pulsar como um louco, e então vem o bonitinho, fofinho, legalzinho querendo um beijo, uma chance pra te fazer feliz. Mas ninguém entende que eu não quero aprender um amor. Eu não quero tempo antes do amor, eu quero o amor antes do tempo. Aquele que a gente não controla. Ô bonitinho, ô fofinho, ô legalzinho, não me ensina a amar não, não tenta me amar não. Foge da minha loucura, dos meus textos, do meu amor. Amor não se aprende. Amor acontece.

Nenhum comentário:

Postar um comentário